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Aos vermes que me roeram em vida
e hoje roem a carne fria do meu cadáver
dedico como profética lembrança estas Memórias
Póstumas…
Berna, 03/07/1876


I. Óbito do autor
Sempre hesitei em escrever minhas memórias, a vida me
absorvia… Porém o agito, o vaivém do shopping center próximo ao cemitério
de Brungartenwald em Berna, Suíça, os junkies e punks ao redor de minha
tumba me fizeram acordar de um longo e frio sono. Além do que não sou e
nunca fui um sábio nem um filósofo, menos ainda um escritor de profissão,
mas o vazio do além tumba estimula minha memória.
Dito isto, expirei às 11:56, quase meio dia de 1° de julho de
1876, um sábado, no hospital de Hugbraum na cidade de Berna. Tinha
sessenta e dois anos de lutas e sonhos e nenhuma riqueza. Prepararam meu
frio e cansado corpo para o enterro às dezesseis horas do 3 de julho. Fui
acompanhado ao cemitério de Brungartenwald por mais ou menos quinze
amigos. Zukovskij lembrou meu romantismo e fez-me alegre ao comparar-me
com uma primavera perpétua, o bom e dedicado Eliseo Reclus disse que eu
repreendia e berrava, animava e decidia, continuamente o dia inteiro, a noite
inteira e acusou a minha atividade, a minha ociosidade, o meu apetite e até o
meu suor constante de passarem da média humana e ao escutá-lo pensei com
os meus vermes: “Bakunin, fique onde estás!”. Carlo Salvioni falou em nome
dos internacionalistas italianos e exagerou a minha participação no socialismo
anti-autoritário da península itálica – ah esses italianos e espanhóis que
trazem e trarão sempre a chama da revolta nos olhos -, falaram ainda Brousse,
o operário Betsien e junto aos amigos de toda a vida, os Adolfos Reichel e
Vogt, Adhémar Schwitzguébel, – outro velho camarada- leu os telegramas de
condolências das seções da Associação Internacional do Trabalhadores que
também enviaram as horríveis coroas de flores.
Pensava na vida que tinha estrebuchado-me no peito há dois dias
quando ouço soluços, o choro convulsivo apagando as palavras que o bom
Guilhaume tentava em vão proferir… o corpo já fazia-se planta, e pedra, e
lôdo, e sonhos futuros e coisa nenhuma.
Morri de inflamação crônica dos rins, paralisia da bexiga,
hipertrofia do coração, hidropisia e muito, muito cansaço. É possível que você
não o creia e, todavia é verdade. Vou expor-lhe resumidamente o caso.
Julgue-o por si.
II. As últimas duas semanas
Vindo de Lugano, cheguei ao anoitecer em Berna, a noite
parecia aliviar meu estropiado corpo juntamente com os cuidados do sempre
solidário Adolfo Reichel e do meu querido sapateiro Santandrea. Às vezes,
sentia-me como um balão prestes à explodir e os médicos com sua científica
sabedoria me diziam: “é apenas um paralisia na bexiga…”. Quarta-feira, 14
de junho de 1876, minha última noite fora da prisão hospitalar, Reichel e
outros amigos músicos tocavam aqueles que seriam os últimos acordes de
minha agitada existência. Em meio à melodia que me animava Vogt insistia
que após a colocação de uma sonda no dia seguinte eu melhoraria e
argumentava: “além de tudo, meu querido, isso te fará ter uma vida mais
ordenada” – e, segundo minha memória desencarnada parece-me ter lhe
respondido: “Blargh, sempre vivi de forma desordenada e poderia se dizer de
mim: Teve uma vida inteira desordenada mas a morte muito bem ordenada!”.
O frio parecia atravessar meus ossos, tremia e enquanto escutava a eternidade
de Beethoven a vida parecia querer me abandonar.
Caro leitor, para atenuar-lhe a narrativa de meus suplícios desde
que fui enviado ao inferno hospitalar, darei-lhe uma sumária crônica dos
meus últimos dias:
28 e 29/06/1876, quarta e quinta-feira:
A sonolência me dominava, dormia e pouco abria os olhos e
quando Reichel me ofereceu a sopa disse-lhe: – “não preciso de nada, já
terminei a minha tarefa”. Mas eu não queria morrer e não pude recusar um
pouco de kasha preparada por Maria Reichel, a companheira russa de Adolfo,
ela não sabia que ao me dar colheradas da sopa de nossa terra preparava-me
para o undiscovered country de Hamlet e levava-me para Tver na Rússia,
onde nasci. Viajando na minha infância dormi toda sexta-feira e, como já
disse, expirei ao quase meio dia de sábado.
26 e 27/06/1876, segunda e terça-feira:
Conversei com Reichel sobre nossa grande paixão, a música e
especialmente Beethoven e deleitei-me com suas palavras sempre inspiradas,
mas quando chegamos a Wagner não pude evitar um severo julgamento sobre
seu caráter e sua música apesar de eu e ele nos encontrarmos na fala de
Sigfrido: – “Quão feliz estou / De me fazer livre / Sem nada para me sujeitar
nem me obrigar!” Numa de minhas escapadelas do torpor lembro-me ter dito
a Reichel: “Venha, venha me abraçar, meu bom amigo.”
24 e 25/06/1876, sábado e domingo:
Com a ajuda do enfermeiro, marca de minha agonia, tomei um
pouco de chá, um pouco de sangria e às vezes um pouco de água, a mais
gelada possível. Ditei, em russo, cada ponto e cada vírgula, uma carta para
minha companheira e mulher Antonia onde dizia-lhe da minha esperança de
voltar à nossa casa em Lugano dentro de quinze dias. Não queria morrer.
22 e 23/06/1876, quinta e sexta -feira:
Dopado, imerso no torpor de narcóticos que me permitiam
dormir, sentia-me um estúpido e percebia nos olhares de Vogt, Reichel que a
doença me vencia… Bendito ópio e não a religião que me aliviava as dores e
me fazia dormir/sonhar… intoxicado pelos ambientes românticos de minha
juventude e cujos eflúvios narcotizantes jamais cessaram de produzir efeitos
mesmo nas maiores adversidades, como agora diante da morte. Diávolo.
21/06/1876, quarta feira:
Sentia-me bem melhor e conversei longamente com Reichel
sobre nossa juventude e sonhos em comum e ao ser perguntado porque jamais
encontrei tempo para escrever minhas memórias respondi que não valeria a
pena abrir minha boca. Hoje os povos de todas as nações perderam o instinto
da revolução. Todos parecem estar muito satisfeitos com sua situação e o
medo de serem derrotados mais uma vez os fazem inofensivos e inertes. Não,
se ainda pudesse ter um pouco de saúde, escreveria uma Ética fundada nos
princípios do coletivismo, sem frescuras filosóficas ou religiosas.
19 e 20/06/1876, segunda e terça-feira:
Uma diarréia aumentou a lista de meus males e a sujeira que me
cercava. Contra a minha vontade, meus amigos insistiam na presença de um
enfermeiro dia e noite. Recuso, teimoso digo não à essa regressão para a
infantilidade, eu que nunca confiei cegamente nos médicos e com eles
discutia os diagnósticos, tive que ceder à presença do enfermeiro.
17 e 18/06/1876, sábado e domingo:
O velho Reichel havia viajado no fim de semana, ótimo, pois do
leito hospitalar pude rejuvenescer-me nas conversas com seu filho e jovens
amigos e lembrar-lhes e lembrar-me o jovem que fui em 1842 e dizia: abram
suas mentes; deixem os mortos enterrarem os mortos e convençam-se pelo
menos de que o espírito, sempre jovem, sempre renascendo, não deve ser
procurado nas ruínas que caem. A paixão pela destruição é também uma
paixão criativa… memórias fragmentadas, cacos com cheiro de suor e pólvora
compartilhados, reconstruídos…
16/06/1876, sexta feira:
Um pouco mais disposto que na véspera, sempre desajeitado,
não sabia como conviver com a sonda e acabava sem roupas na cama,
assustando a todos por estar tal qual Adão no paraíso.
15/06/1876:quinta-feira
No leito do hospital, sob o olhar médico de Adolf Vogt,
superando crises de falta de ar e dores eu lia Die Welt als wille und
Vorstellung de Schopenhauer e discutia com todos (médicos, enfermeiros,
companheiros, amigos) sobre filosofia e, pasmem, acima de tudo, sobre a
vida.
Consegui ficar contente com o estranho maquinismo que me
introduziram para escoar meus líquidos e minhas dores.
[Imagen: images-duckduckgo-com.jpg?w=300&h=150]Mikhail Alexandrovich Bakunin
III. Genealogia
Mas, já que falei em Tver, a província Russa que nasci, deixemme
fazer aqui um curto esboço genealógico:
O fundador de minha família foi um certo Miguel Vasilievich
Bakunin que adquiriu na primavera de 1779 uma propriedade, as terras de
Premujino. Meu avô, Miguel Bakunin, recebeu a comenda de conselheiro de
Estado na corte de Catarina II quando ainda era jovem, porém sem ambições
políticas retira-se para Premujino e o que sei dele são as estórias contadas por
tios e pais compondo em minha imaginação infantil uma figura de Hércules
por sua força física, seu temperamento indomável e suas proezas de como pôr
para correr um bando de ladrões apenas com um bastão nas mãos ou como
teria levantado uma carroça e carroceiro jogando-os ao rio por ter sido
desafiado pelo condutor… Nasci dia 30 de maio de 1814, na província de Tver
entre Moscou e São Peterburgo e deram-me o nome de Miguel Alexandrovitch
Bakunin em lembrança ao Sansão da família, o avô que conheci por estórias.
Meu pai, Alexandre, pertencia à velha nobreza e educou-se em
Florença. Ele só retornaria à Rússia com a idade de 35 anos. Educou-se e
passou sua juventude no estrangeiro. Meu pai era um homem muito
espirituoso, muito instruído, erudito, bastante liberal, filantropo, deísta e um
pouco ateu, antes de mais nada um livre pensador em contato com o que havia
de celebridades políticas e científicas na Europa e consequentemente em
contradição completa com tudo o que existia e se respirava na Rússia de
então.
Meu pai era extremamente rico. Era proprietário de mil almas
masculinas, as mulheres não eram contadas na servidão, como se não as
contam mesmo na liberdade. Ele era o senhor de mais ou menos 2.000 servos
masculinos e femininos, com o direito de vendê-los, de bater-lhes, de
transportá-los à Sibéria, de enviá-los ao exército como recrutas e, sobretudo,
de explorá-los sem piedade ou simplesmente de roubar-lhes e viver de seu
trabalho forçado. Já disse que meu pai chegou à Rússia cheio de sentimentos
liberais. A princípio seu liberalismo se revolta contra essa horrível, infame
posição de senhor de servos; chegou mesmo a tentar projetos mal calculados e
mal executados de emancipação dos servos. Depois o hábito e a conveniência
fizeram dele um proprietário tranquilo e resignado à servidão de centenas de
seres humanos de cujo trabalho tirava a sua sobrevivência.
Éramos onze irmãos. Fomos criados sob os cuidados de nosso
pai, muito mais à maneira ocidental do que à maneira russa – vivíamos, por
assim dizer, fora da Rússia, num mundo cheio de sentimentos e fantasias, mas
despojado de toda realidade. Nossa educação a princípio foi muito liberal.
Algumas palavras sobre o meu desenvolvimento intelectual
durante este período: falava muito bem em francês, a única língua que me
fizeram estudar a gramática, um pouco de alemão e entendia razoavelmente o
inglês, algumas palavras de latim e grego e não tinha nenhuma idéia de
gramática russa. Meu pai nos havia ensinado pela Histoire Ancienne de
Bossuet e me fez ler um pouco de Tito Lívio e de Plutarco, este na tradução
de Amyot. Tinha algumas noções de geografia bastante incertas e vagas e,
graças a um tio, oficial aposentado do estado-maior, tinha aprendido
aritmética, álgebra e planimetria. Esta era toda a bagagem científica que levei
da casa de meu pai aos quatorze anos. Quanto ao ensino religioso, foi nulo. O
padre de nossa paróquia, excelente homem, do qual muito gostava pois me
dava pãezinhos de mel, deu-nos algumas aulas de catecismo que não
exerceram absolutamente nenhuma influência, nem positiva, nem negativa,
quer seja no meu coração ou no meu espírito. Era mais cético que crente, ou
mais ainda, indiferente.
Minhas idéias sobre a moral, sobre o direito, sobre o dever, eram
consequentemente vagas. Tinha sentimento, mas nenhum princípio. Amava
indistintamente, amava os bons e o bem e detestava os maus, sem saber o que
constituía a maldade e a bondade, me indignava e me revoltava contra toda
crueldade e contra toda injustiça. Creio mesmo que a indignação e a revolta
foram os meus primeiros sentimentos. Minha educação moral estava
deformada pelo fato de que toda minha existência material, intelectual e
moral estava fundada sobre um injustiça gritante, sobre a absoluta
imoralidade, sobre a servidão dos camponeses que permitia o nosso ócio. Meu
pai possuía plena consciência dessa imoralidade, porém, homem prático,
nunca nos falava sobre ela, e nós a ignoramos por muito tempo, tempo em
demasia. Eu tinha ainda o espírito aventureiro. Meu pai, que havia viajado
muito, contava-nos as suas viagens. Uma de nossas leituras favoritas, leituras
que sempre fazíamos com ele, eram as descrições de viagens. Meu pai era um
naturalista erudito. Adorava a natureza e nos permitia esse amor, essa
curiosidade ardente por todas as coisas da natureza, sem nos dar contudo a
menor noção científica. A idéia de viajar, de ver novas regiões, novos
mundos, tornou-se uma idéia fixa em nós todos. Esta idéia contínua,
persistente, desenvolveu minha fantasia. Nos momentos de descanso eu me
contava histórias ou me via sempre fugindo da casa de meu pai e buscando
aventuras longínquas… Além disso, adorava meus irmãos e minhas irmãs,
estas sobretudo, e reverenciava meu pai como um Deus. Assim era quando,
em 1828, entrei como cadete na Academia de Artilharia. Foi o meu primeiro
contato com a realidade russa.
IV. A idéia fixa
Novas regiões, novos mundos, essas idéias depois de tantas
cabriolas, constituiram-se idéia fixa. Não sabia se meu barco chocar-se-ia
com as rochas, nem sabia o que é ainda pior: se haveria de encalhar em algum
banco de areia. Porém o que sabia com toda certeza é que este barco não
reduziria sua marcha enquanto restasse uma só gota de sangue nas minhas
veias.
Não digo que eu fosse desprovido de amor-próprio, mas jamais
este sentimento me dominou; ao contrário, fui obrigado a lutar contra mim
mesmo e contra a minha natureza toda vez que me preparava para falar
publicamente ou mesmo para escrever para o público. E se eu sofresse de
egoísmo, este egoísmo seria unicamente necessidade de movimento,
necessidade de ação. Meu caráter era marcado por um defeito capital: o amor
ao fantástico, ao insólito, às aventuras inauditas, à projetos abertos para
horizontes infinitos e sem que ninguém possa prever como iriam terminar.
Numa existência ordinária e calma eu sufocava, sentia-me mal em minha pele.
Os homens procuram ordinariamente a tranquilidade e a consideram como o
bem supremo; no que me concerne, ela me mergulhava no desespero; minha
alma se encontrava em perpétua agitação, exigindo ação, movimento e vida.
Eu deveria ter nascido em algum lugar nas florestas americanas, entre os
colonos do Far West, lá onde a civilização está ainda em seu início e onde
toda existência nada mais é do uma luta incessante e não numa sociedade
burguesa organizada. E, também, se desde minha juventude o destino tivesse
querido fazer de mim um marinheiro, eu seria ainda hoje, provavelmente, um
bom homem, eu não teria pensado na política e não teria procurado outras
aventuras e tempestades a não ser as do mar. Mas o destino decidiu de outra
forma e minha necessidade de movimento e de ação permaneceu insatisfeita.
Esta necessidade, junta, em seguida, à exaltação democrática, foi, por assim
dizer, minha única motivação. No que concerne a esta exaltação, ela pode ser
definida em poucas palavras: o amor pela liberdade e um ódio invencível por
toda opressão, ódio ainda mais intenso quando esta opressão dizia respeito a
outra pessoa, e não a mim mesmo. Procurar minha felicidade na felicidade do
outro, minha dignidade na dignidade de todos aqueles que me cercavam, ser
livre na liberdade dos outros, eis todo meu credo, a aspiração de toda minha
vida. Eu considerava como o mais sagrado dos deveres o de me revoltar
contra toda opressão. Sempre houve em mim muito de Dom Quixote, não
somente na política, mas também em minha vida privada; eu não podia ver,
com olhar indiferente, a mínima injustiça, e, por uma razão ainda mais forte,
uma gritante opressão.
Seja compreensivo, leitor, para com minhas fantasias, utopias e
não esteja daí a torcer-me o nariz.
Vamos lá, retifique o seu nariz, e retornemos à idéia fixa. Minha
existência e obra caminharam juntas, nunca tive paciência para levar uma
atividade até o final. Iniciava caminhos que abriam veredas para novas ações
e aventuras, começava livros quilométricos que jamais terminava. Vivi uma
aventura interminável, cheia de golpes de sorte, derrotas, dissabores e sempre
disposto à vida livre. Fui perseguido, caluniado por sempre ter exercido a
tarefa de inverter simétricamente o imaginário hierárquico. Desejei para mim
e para os homens tarefas heróicas: não ser criatura e sim criador, emanciparse
não apenas da tutela alheia mas também do hábito de guiar a outros. Se o
Estado e a Igreja nos disciplinam a todos para renunciarmos às atividades
vitais que nos são inatas -(tais como inventar-se, aperfeiçoar-se, conhecer-se
e conhecer, rebelar-se, saciar-se, fazer amor prazeirosamente)- a nossa
evolução dependerá então de esforços satânicos: a paixão pela emancipação e
pela diferença, querer sempre uma queda infinita para a vida.
V. Episódios de 1848
Mas eu não quero passar adiante, sem contar sumariamente
alguns do mais felizes episódios de minha vida, acontecidos nas Revoluções
de 1848 e 1849, pois sentia que homens de minha têmpera crescem e fincam
raízes em meio aos furacões e amadurecem melhor no tempo das tormentas do
que sob os raios do sol, como costumava dizer o amigo Adolfo Reichel.
Enfim a revolução acontece em fevereiro. Ao saber que se lutava
em Paris emprestei, para qualquer eventualidade, um passaporte de um
conhecido e me dirigi a Paris. Mas o passaporte foi inútil. “A república foi
proclamada em Paris”, essas foram as primeiras palavras que ouvimos ao
atravessarmos a fronteira. Ao ouvir a notícia arrepiei-me, fui a pé até
Vallenciennes pois a ferrovia tinha sido destruída. Em todos os lugares a
multidão, os gritos entusiásticos, bandeiras vermelhas em todas as ruas, em
todos os lugares, em todos os edifícios públicos…
Cheguei a Paris em 26 de fevereiro, três dias após a proclamação
da república…
Impressionou-me Paris, cidade enorme, centro da cultura
européia, subitamente transformada nun Cáucaso selvagem. Em todas as ruas,
quase em todos os lugares, as barricadas insurgentes como montanhas se
elevando.
… A seguir, durante mais de uma semana morei com
trabalhadores num alojamento na Rua Tournou, a dois passos do Palácio de
Luxemburgo; este alojamente reservado à guarda municipal era como tantos
outros uma fortaleza republicana…
Tive assim a ocasião de ver os trabalhadores, observá-los de
manhã até a noite. Jamais, em nenhuma parte, em nenhuma outra classe
social, encontrei esta nobreza de abnegação, nem tamanha integridade,
realmente tocante, delicadeza de maneiras e amabilidade unida a um heroísmo
ímpar…
…Levantava-me às cinco ou quatro da manhã e dormia às duas
da madrugada, em pé durante o dia inteiro, indo a todas assembléias,
reuniões, “clubs”, passeatas, manifestações; em uma palavra – respirava por
todos meus sentidos e todos meus poros a embriaguês da atmosfera
revolucionária. Era um festa sem começo nem fim; via todo mundo e não via
ninguém, pois cada indivíduo se perdia na multidão errante e anônima; falava
com todos sem depois lembrar das minhas palavras ou as dos outros, pois a
atenção era absorvida a cada passo por fatos e coisas novas, pelas novidades
imprevistas. Esta febre geral não se encontrava mediocremente apenas nas
conversas, mas era reforçada pelas notícias chegadas de outras partes da
Europa, onde escutava-se palavras como estas: “Lutas em Berlim, o rei foge
após fazer um discurso! Luta-se em Viena, Metternich fugiu e a república foi
proclamada! Toda a Alemanha está sublevada! Os italianos triunfaram em
Milão, Veneza, tendo os austríacos sofrido uma vergonhosa derrota! A
república está proclamada, toda Europa torna-se uma república. Viva a
república!”
Parecia que o universo estava de pernas pro ar; o inacreditável
tornou-se o habitual, o impossível possível, e o possível e habitual
insensatos. Numa palavra, o estado de espírito era tal que se alguém dissesse:
“Deus foi derrubado, a república foi proclamada no céu”, todos acreditariam e
ninguém ficaria surpreso…
Não acreditava que nenhuma teoria, nenhum sistema préestabelecido,
nenhum livro pudessem salvar o mundo. Eu não pertencia à
nenhum sistema, era um autêntico buscador. Sabia que a Revolução apresenta
três quartos de fantasia e um quarto de realidade. A vida, caro leitor, é
sempre bem maior que uma doutrina…
Inebriado pela atmosfera revolucionária me interessava muito
pouco pelos debates parlamentares, a era parlamentar, a era das assembleias
nacionais constituintes, etc., etc., havia terminado. Qualquer um que
interrogue a si mesmo sobre este ponto descobrirá que já não sente nenhum
interesse – ou, apenas, um interesse forçado e irreal – por essas formas
políticas caducas. No que me dizia respeito, tenho de confessar que já não
acreditava em constituições nem em leis de nenhuma espécie; a mais perfeita
constituição do mundo não seria capaz de satisfazer-me. O que se necessita é
algo muito diferente: inspiração, vida e um mundo totalmente diferente do
atual, um mundo sem leis, um mundo livre, em suma.
Perseguido pela polícia prussiana obriguei-me a uma semiclandestinidade
e consegui um passaporte inglês falso com o nome de um tal
de Anderson, o que me permitiu viajar.
O primeiro de abril de 1849 marca a minha memória
desercarnada talvez por estar agora rememorando-o da perspectiva do além
onde os limites entre a ficção e o real são tão incertos quanto os que separam
o sonho da vigília, a mentira da verdade…
Leitor, não torça-me, novamente, o nariz; voltemos à narrativa,
afinal aconteceu num primeiro de abril.
Estava em Dresden, Alemanha, era um domingo de Ramos, e fui
assistir ao concerto no Palácio da Ópera onde Ricardo Wagner regia a Nona
Sinfonia de Beethoven. Ali o conheci quando após o espetáculo fui
cumprimentá-lo dizendo: “se toda a música escrita até hoje estivesse sob o
perigo de desaparecer numa guerra mundial, gostaria de salvar esta sinfonia
mesmo que me custasse a vida”.
Fizemo-nos amigos e ainda me lembro da cara de espanto de
Minna, companheira de Wagner, ao me observar comendo enormes pedaços
de carne ou salsicha e bebendo taças de conhaque de um só trago, arengando
que o espírito eterno que destrói e aniquila, que é a insondável e eternamente
criativa fonte de toda a vida estava para revelar-se e recusando o vinho por
ser uma bebida insípida, outra taça de conhaque e todos na casa de Wagner
concordando que ela estava prestes a chegar, a Revolução.
No dia 3 de maio vi erguerem as primeiras barricadas em
Dresden, os insurgentes tentam tomar o Arsenal, o exército abre fogo e mata
quinze pessoas. Percorria diariamente, junto a Heubner e outros, as barricadas
discutindo, animando seus defensores. De tanto falar perdi a voz mas mesmo
rouco continuava junto aos revolucionários.
Tristeza, no dia 6 de maio os insurgentes ateiam fogo no Palácio
da Ópera (o mesmo onde ouvi a Nona Sinfonia), há dois dias eu não dormia,
não comia, não bebia e sequer fumava e ainda fui injustamente acusado do
incêndio. Contudo pensava ,e ainda penso do além, que as revoluções não são
um jogo infantil, nem um debate acadêmico ou um jogo literário. A revolução
é a guerra, e quem diz guerra diz destruição de homens e de coisas.
As tropas prussianas e saxônicas já ocupavam Desden e quando
tudo já estava perdido propus que o governo provisório revolucionário tivesse
a delicadeza de estourar pelos ares (junto comigo, óbvio) quando da entrada
das tropas do exército. Recusaram minha proposta por elevada maioria. Eu
sabia que molestava como ainda molestam as minhas idéias.
Eu e outros tentamos ainda resistir em Chemnitz, cidade
próxima a Dresden, estava extenuado, depois de mais de seis dias e seis noites
sem dormir. Em 10 de maio de 1849 fui preso no Hotel Anjo Azul e escoltado
pelo exército prussiano até Dresden.
VI. Triste, mas curto
Não nego que, ao avistar e pisar novamente o solo russo, depois
de onze anos de ausência, mesmo acorrentado e escoltado por soldados
austríacos que me entregavam aos seus colegas russos, não pude reprimir um
sentimento quase de satisfação. Não era efeito da pátria política; era-o do
lugar da infância, dos cheiros, cores e da língua nativa. Não resisti e disse aos
soldados russos em nossa língua: – “Pois bem rapazes, me alegro de haver
retornado a minha terra, mesmo que seja para morrer nela”. Esqueci que
voltava como prisioneiro de um estado autoritário mas um oficial logo
lembrou-me dizendo: “Estás terminantemente proibido de falar”. Voltei à
Rússia no dia 17 de maio de 1851, calma caro leitor não furtar-me-ei em falar
brevemente dos dois anos passados desde a minha prisão, coisas de memórias
desencarnadas.
Fiquei preso inicialmente em Dresden, depois em Königstein,
aproximadamente um ano em Praga, cinco anos em Olmutz, completamente
acorrentado e, em Olmutz, até mesmo acorrentado ao muro, fui em seguida
transportado para a Rússia. Na Alemanha e na Áustria minhas respostas às
questões foram muito curtas: “Vocês conhecem meus princípios, eu os
publiquei e fi-los conhecer em alta e inteligível voz; eu quis a unidade de uma
Alemanha democrática, a libertação dos eslavos, a destruição de todos os
reinos cimentados pela violência, antes de tudo, a destruição do império
austríaco; apanhado de armas na mão, vocês têm muitos elementos para me
julgar. Eu não responderei mais a nenhuma de suas questões”. Em maio de
1851 fui transferido para a Rússia, diretamente para a fortaleza Pedro e Paulo,
na fortificaçào Aleksei, onde permaneci encarcerado por três anos. Dois
meses após minha chegada, o conde de Orlov veio ver-me em nome de
Nicolau I. “O soberano me enviou a você e me ordenou dizer-lhe: “Diga-lhe
que me escreva, como um filho espiritual escreve a um pai espiritual”; você
quer escrever?”
Eu refleti um pouco e disse a mim mesmo que, diante de um
juri, num processo público, eu deveria manter meu papel até o fim, mas entre
quatro paredes, à mercê do urso, eu podia sem vergonha suavizar as formas;
pedi então prazo de um mês; eu aceitei – e efetivamente escrevi um tipo de
confissão, meus atos eram, por sinal, tão manifestos, que eu não tinha nada a
esconder. Após ter, em termos gentis, agradecido ao monarca por sua
complacente atenção, acrescentei: “Sire, Vós quereis que eu vos escreva
minha confissão, está certo, eu a escreverei, mas sabeis que na confissão
ninguém é obrigado a declarar os pecados de outro. Após meu naufrágio, só
me resta um único tesouro, a honra e o sentimento de que não traí nenhum
daqueles que confiaram em mim; consequentemente, não delatarei ninguém”.
Dito isso, com algumas exceções, contei a Nicolau toda minha vida no
estrangeiro, inclusive todos os meus projetos, impressões e sentimentos.
Sei que após tê-la recebido, ele nunca mais me interrogou sobre
assunto nenhum. Encarcerado durante três anos na fortaleza Pedro e Paulo, fui
transferido no início de 1854 para Schüsselburg, onde permaneci detido ainda
três anos. Atingido pelo escorbuto, perdi todos os meus dentes. A prisão
perpétua é uma coisa terrível, levar uma vida sem objetivo, sem esperança,
sem interesse. Dizer a si mesmo todos os dias: “Eu me tornei hoje um pouco
mais imbecil e amanhã serei ainda mais imbecil”.Com uma horrorosa dor de
dentes que durava semanas e voltava pelo menos duas vezes por mês; não
podendo dormir de dia nem de noite, fizesse o que fizesse, lesse o que lesse; e
mesmo durante o sono sentir no coração e no fígado uma dor alucinante, com
este sentimento fixo: eu sou um escravo, eu sou um morto, eu sou um
cadáver. Entretanto, não perdi a coragem; se a religião se manteve em mim,
ela se desmoronou definitivamente nas fortalezas. Eu só tinha um desejo: não
capitular, não me resignar, não me abaixar até procurar um consolo em não
sei qual engano, guardar até o fim, intacto, o sentimento sagrado da revolta.
Morto Nicolau, pus-me a esperar mais vivamente. Houve a coroação, a
anistia. Alexandre Nikolaevitch, sucessor de Nicolau I, de seu próprio punho,
riscou meu nome da lista que lhe haviam apresentado. Um mês se esgotou:
recebi uma intimação para escolher entre a fortaleza ou a deportação para a
Sibéria. É claro que escolhi a deportação. Minha libertação da forteleza não
foi obtida facilmente; o monarca, teimoso como uma mula, recusou diversas
vezes; um dia, entrou no gabinete do príncipe Gorchtakov (o ministro das
Relações Exteriores), com uma carta na mão (precisamente a carta que eu
escrevera em 1851 a Nicolau) e lhe disse: “Mas eu não vejo o mínimo
arrependimento nesta carta”; o idiota, ele queria um arrependimento!
Finalmente, em março de 1857, saí de Schlusselburg e ,com o consentimento
do monarca, passei vinte e quatro horas com a minha família, em Premujino;
em abril, fui conduzido a Tomsk, Sibéria. Vivi lá aproximadamente dois anos
e conheci uma encantadora família polonesa, cujo pai, Ksaverii Vasilievitch
Kwiatkowski trabalhava na indústria aurífera. A um quilômetro da cidade, no
campo, esta família habitava numa pequena casa, onde a vida passava na
tranquilidade e no respeito das velhas tradições e costumes. Tomei o hábito
de ir lá todos os dias e propus-me a ensinar o francês, etc., às duas moças;
liguei-me afetivamente com a mais jovem, Antonia, minha esposa, ganhei sua
inteira confiança (eu a amei apaixonadamente, ela também estava apaixonada
por mim), de modo que a desposei; e já faz dois anos que estou casado e
muito feliz. Em março de 1859, instalei-me em Irkutsk, na Sibéria oriental,
onde entrei para o serviço da Companhia fluvial do Amur. Sentia-me como se
o gelo siberiano houvesse preservado minha carne como a de um mamute
russo.
Triste capítulo; passemos a outro mais alegre.
VII. Curto, mas alegre.
Fiquei prostrado. Havia percorrido mais de três mil quilômetros
nas geleiras da Sibéria, sem dormir e sonhando com minha liberdade. Nas
prisões e no exílio aprendi que não existe estado mais deplorável do que verse
obrigado a permanecer eternamente preso em si mesmo… Somente em
sociedade, com outros, e com ajuda dos demais, pode o homem sentir-se
plenamente homem. No início de julho de 1861 estava no porto de
Nikolaevsk, um mês após ter saído de Irkutsk, embarquei primeiramente no
navio mercante Strelok de bandeira russa e consegui passar para o veleiro
Vickery, de bandeira norte-americana, que fazia escala comercial nos portos
japoneses. Tinha escapado das garras do urso de Moscou.
Cheguei no porto de Hakodate, Japão, no início de agosto e no
dia vinte e quatro embarcava no vapor norte-americano Carrington para a
América.
Cruzando os mares não pude deixar de lembrar da carta que
havia escrito na prisão de Pedro e Paulo em São Petersburgo há dez anos onde
dizia que eu deveria ter sido marinheiro ou outra coisa qualquer. O destino me
fazia marinheiro e me carregava para o Far West, onde um dia desejei ter
nascido.
Desembarquei em San Francisco, Califórnia em outubro e em
lombo de burros, carroças, andando vivi minha rápida aventura americana até
atravessar o istmo do Panamá, como odiei os mosquitos daquela maldita
selva…
Embarquei para New York onde cheguei em 18 de novembro,
revi velhos camaradas das revoluções de 48, agora exilados na América. Após
um mês e pouco estava desembarcando em Liverpool, donde dirigí-me à
Londres. Dei a volta ao mundo em 150 dias. Em Londres fui imediatamente a
casa de Alexandre Herzen. Era a noite do dia 27 de dezembro de 1861 e
encontrei Herzen e família jantando. Subi rápido as escadarias e gritei
jogando-me aos braços de Herzen: “- Onde há ostras frescas por aqui?”.
Depois de tanto tempo enterrado vivo sentia-me novamente um
homem pleno e livre.
VIII. Que escapou a Marx
Outra coisa que também merece ser lembrada é a metafísica de
Herr Marx. Da mesma forma que escapou a Aristóteles uma compreensão
sobre a solidariedade do aborrecimento humano a Marx escapou a
compreensão da liberdade.
Marx e eu fomos velhos conhecidos. Encontrei-o pela primeira
vez em Paris, em 1844. Mas sempre desconfiei da sua ciência e sempre estive
mais próximo de Proudhon com o qual muito conversei e aprendi. Mas éramos
bastante amigos, Marx e eu.
Ele já era muito mais avançado do que eu ou pelo menos
incomparavelmente mais erudito do que eu. Na época eu não entendia
absolutamente nada de economia política e meu socialismo era puramente
instintivo. Nós nos víamos frequentemente, pois o admirava muito por seu
saber e por sua apaixonada e entusiástica dedicação à causa do proletariado,
mesmo que mesclada com sua vaidade pessoal. Porém, nunca existiu entre nós
uma franca intimidade. Nossos temperamentos não o permitiam. Ele me
chamava de idealista sentimental e tinha razão. Eu o chamava de vaidoso,
desconfiado, pérfido e também tinha razão. Fomos nos encontrar novamente
após minha fuga da Sibéria em 1864, quando fui convidado para visitá-lo na
sua casa em Londres. Foi a última vez que o vi pessoalmente e tivemos um
encontro cordial. Das várias injúrias que Marx me agraciou, uma agradou-me
em particular: – “Maomé sem o Alcorão”. Não por Maomé mas sim por ele ter
reconhecido que nunca defendi um livro sagrado, uma ortodoxia. Por sua vez
Marx às vezes me passava a imagem de querer ser Deus ou Zeus. Decida-o
por si, caro leitor.
Eu soube um dia por um amigo em comum, que quando Marx
passava uma temporada na casa de seu amigo Kugelmann em Hannover, em
1867, sentiu uma estranha paixão pela cópia de um busto de Zeus encontrado
na cidade italiana de Otricoli. Ele se achava parecido com o déspota do
Olimpo na Grécia antiga. Para ficar ainda mais parecido com Zeus,
semelhança também percebida por Kugelmann, Marx deixa crescer, a partir de
então, sua barba e cabelos que sempre usou aparados. A sua semelhança com
Zeus, ou a de Zeus com Marx, – quem sabe – impressionou-o tanto que a
cópia do busto de Zeus adorna seu escritório em sua casa londrina de
Maitland Park Road desde o Natal desse mesmo ano. Como já disse eu o
chamava de vaidoso e tinha razão.
Sempre denunciei as mentiras mais vis e terríveis que o nosso
século engendrou: o democratismo oficial e a burocracia vermelha. Essa
última com sua ditadura do proletariado construíria um socialismo de caserna,
onde a massa uniformizada dos trabalhadores e das trabalhadoras despertaria,
adormeceria, trabalharia e viveria ao som do tambor; para os hábeis e para os
sábios que teriam o privilégio do governo.
Num tal sistema, o fruto proibido que tanta atração exerce sobre
os homens e o diabo da revolta, este inimigo eterno do Estado, se revelam
fácilmente nos corações daqueles que não estão totalmente embrutecidos, e
nem a educação, nem a instrução, nem mesmo a censura garantirão a
tranquilidade de tal Estado. Será necessário uma força policial devotada que
supervisione e dirija a opinião pública e as paixões populares. Contráriamente
ao pensamento dos comunistas autoritários, e a meu ver, erradamente, que
uma revolução social pode ser decretada e organizada quer por uma ditadura,
quer por uma assembléia constituinte seguida de uma revolução política, eu e
meus amigos, pensamos que ela só pode realizar-se e ser conduzida ao seu
pleno desenvolvimento pela ação espontânea e contínua das massas, dos
grupos e associações populares. A vida, não a ciência, cria a vida; a ação
espontânea do povo só pode criar a liberdade.
Os comunistas imaginaram que “sua ordem” poderia ser
conseguida através do desenvolvimmento e organização do poder político nas
mãos da classe trabalhadora e, particularmente, do proletariado industrial.
Nós os socialistas revolucionários acreditamos que tal objetivo só se pode
alcançar através do poder social, não político e consequentemente antipolítico,
das massas trabalhadoras da cidade e do campo.
Eu sempre exigi a mais absoluta liberdade do indivíduo dentro
da Associação Internacional dos Trabalhadores e acusava Marx e seu
conselho geral de Londres de tentarem converter a Internacional numa espécie
de Estado monstruosamente gigantesco, sujeito a um único critério social
representado por uma forte autoridade centralizadora, a de Marx.
Marx e os seus sempre afirmaram que essa autoridade, a
ditadura do proletariado, é um passo essencial para a completa liberdade; e
que a sociedade sem Estado é o objetivo mas que o Estado ou a ditadura são
os meios. Falando dessa evidente contradição eu terminarei por aqui meus
argumentos contra Marx. Ele afirmava que somente a ditadura poderia criar a
vontade popular. Eu respondo que nenhuma ditadura pode ter nenhum outro
fim exceto perpetuar a si mesma. A liberdade sómente pode ser criada pela
liberdade. Basta de Herr Marx, caro leitor.
IX. O anarquismo
Sempre neguei a centralização e fui um apaixonado defensor
das tradições comunitárias e federalistas. Percorri um círculo em minha vida
agitada; minha infância e adolescência aconteceram nas cercanias de um Mir
– comuna coletivista – na Rússia e na minha velhice vivi sob o federalismo
cantonal suíço. Sempre acusei Rousseau de inaugurar a mais sutil justificativa
da razão de Estado, ou seja, aquela que se ampara numa despótica vontade
geral que aniquila qualquer liberdade individual. Sempre escrevi, falei, que
todo amo exige submissão, genuflexões, obediência cega e por isso a
organização estatal é a negação da própria humanidade.
Não houve e não pode haver um Estado bom, justo, virtuoso.
Todos os Estados são maus no sentido em que, pela sua natureza, pela sua
base, por todas as condições e pelo fim supremo da sua existência, são todos a
oposição da liberdade, da moral e da justiça humana. Eu não fui um filósofo
ou criador de sistemas, como Marx, como um verdadeiro buscador sempre
escutei a voz da vida que é sempre mais vasta que qualquer doutrina. Sempre
me neguei a criar projetos para sociedade futuras.
O instinto de dominação, este instinto senhorial que impulsiona
a submeter sistemáticamente tudo que lhe é mais débil, a mandar, a conquistar
e a oprimir não menos sistemáticamente, tem por corolário a prudente e fácil
submissão frente a força triunfante com o pretexto da obediência às
autoridades chamadas legítimas.
O sentimento de rebeldia, esse orgulho satânico que recusa a
dominação de qualquer amo, divino ou humano, e que é o único que no
homem revela o amor à independência e à liberdade, esse é o princípio que
sempre defendi. Defendi ainda a substituição da ordem hierárquica fundada,
de cima para baixo, por uma organização nova não tendo outra base que os
interesses, as necessidades e as atrações naturais das populações, nem outros
princípios que a federação livre dos indivíduos nas comunas, as comunas nas
províncias, as províncias nas nações. Rejeito toda a legislação, toda a
autoridade e toda influência privilegiada, patenteada, oficial e legal, mesmo
saída do sufrágio universal, convencido de que ela nunca pode estar ao
serviço de uma minoria dominante e exploradora, contra os interesses da
imensa maioria subjugada. Eis, em que sentido eu sempre fui anarquista.
Caro leitor deves estar perguntando: “mas será que ele rejeita
toda autoridade?” Longe de mim tal pensamento. Quando se trata de botas,
recorro à autoridade dos sapateiros; se se trata de uma casa, de um canal ou
de uma ferrovia, consulto a do engenheiro ou a do arquiteto. Mas nunca
deixei imporem-se-me nem o sapateiro, nem o arquiteto, nem nenhum sábio.
Aceito-os livremente reservando sempre o meu direito incontestável de crítica
e de contrôle; consulto sempre várias autoridades especialistas, comparo suas
opiniões e escolho aquela que me parece mais justa. Mas nunca reconheci
nenhuma autoridade infalível, nunca tive fé absoluta em ninguém. Sempre
recebi e doei, assim é a vida humana. Cada um é dirigente e cada um é
dirigido ao mesmo tempo. Portanto, não há autoridade fixa e constante, mas
uma troca contínua de autoridade e de subordinação mútuas, passageiras e,
sobretudo voluntárias. Sempre defendi, pois, a rebelião da vida contra a
ciência, ou melhor, contra o governo da ciência. Seria melhor vivermos sem a
ciência do que nos deixar governar pelos sábios.Nunca quiz nenhuma espécie
de liderança. Os vermes devoram-me, porém o que eu sempre quiz foi o
triunfo da liberdade. Sempre quiz, e do além ainda quero, que a humanidade
se veja realmente emancipada de toda autoridade e de todos os heróis
presentes e futuros.
X. De como não fui nem clichê, nem salvador, nem burocrata,
nem pontífice e nem gorila da esquerda ou da direita.
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XI. Das negativas
Minhas últimas palavras, caro leitor, são todas negativas. Não
alcancei a celebridade, não fui ministro, não vi a vitória da revoluçào.
Verdade é que, ao lado dessas negativas, coube-me a sorte de sempre contar
com os amigos e viver livre. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa
imaginará que não houve míngua nem sobra, e consequentemente, que saí
quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do
mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa desta
lista de negativas: – Não fundei partidos, não transmiti a nenhuma criatura o
legado da autoridade.
____________________________________________________
P.S. – Eu que psicografei as memórias póstumas de Mikhail
Alexandrovitch Bakunin atesto para os pesquisadores universitários ter tido a
garantia do satã da revolução de que tudo o que foi relatado é a mais absoluta
verdade histórica. Digo ainda que essa coisa de psicografar é complicada pois
do além um fantasma que se dizia chamar Brás Cubas insistia em cruzar a
minha linha com Bakunin.
Assis, outono de 1994.
Sergio Augusto Queiroz Norte
Núcleo de Estudos Libertários Carlos Aldegueri.
ANARQUIA
La palabra "anarquía", inventada un poco como provocación por Pierre-Joseph Proudhon (filósofo político y revolucionario francés), y utilizada en 1863 por el pensador libertario Mijael Bakunin
Anarquía es un concepto que procede de la lengua griega y que hace mención a la ausencia de poder público. Puede estar relacionado con el movimiento político que propone la existencia de una organización social que no sea jerárquica.
A comienzos del  siglo XXI Occidente se nutre aun de los restos vivientes, o metamorfoseados, de las innovaciones dispersadas por la imaginación política del siglo XIX, una de las más prolíficas de la historia de la humanidad. Nos nutrimos de nacionalismo feminismo, vanguardismo,  marxismo, socialismo, federalismo y de otras migajas de políticas menores. Y  todavía está poco rastreada la influencia radial que el anarquismo tuvo sobre grupos políticos e intelectuales, entre otros, individualistas de toda suerte, liberales,  anticlericales, la floración radicalizada de la izquierda de los años 60 , la contracultura norteamericana y europea, el rock el punk , las tendencias libertarias en el movimiento de derechos humanos y en el de la disidencia en los países soviéticos, el pacifismo antimilitarista, el reclamo al uso placentero del propio cuerpo, el movimiento de liberación de los animales y el ecologismo radical. Se diría que el anarquismo construyo una parte importante del plancton que hasta el día de hoy consumen cetáceos del movimiento social, incluso algunos que todavía tienen que madurar del todo.
La historia cultural del anarquismo en un yacimiento que todavía puede ser explorado fructíferamente. ¿Cuál fue su modo de existencia específico? ¿Cuáles son sus innovaciones éticas? ¿Cuál es su relación entre sus prácticas modeladoras de la existencia y la imaginación política de su época?
Estas preguntas deben ser precedidas  por ciertos presupuestos demográficos. Nunca existieron demasiados anarquistas (exceptuando el caso de la anomalía española entre 1890 y 1939) y, el hecho de haber sido un movimiento evangelizador que nunca alteró esta condición de penuria. Hacia 1910 la policía calcula que había entre 5000 y 6000 fieles de “las ideas” en la Argentina. Esta cantidad de anarquistas organizados era altísima. En la mayor parte del mundo, apenas un puñado de partidarios y simpatizantes- la mayoría, inmigrantes o viajeros- activaba intermitentemente, mantenía algunas correspondencias con centros emisores de ideas, se involucraba en huelgas o bien editaba alguna publicación. Los anarquistas, minoría demográfica, siempre han vivido al borde de la extinción de las ideas libertarias en su tiempo: la historia de los anarquistas es la historia de las historias de las experiencias migratorias. Implantación puntillista; salpullido negro en los 360 grados del atlas. La razón que explica la dispersión triunfante de “la idea” reside en el inmenso esfuerzo individual devotado por cada anarquía a la supervivencia de su causa. Eran fogoneros de un tren fantasma. En todo caso, el número, la “masa crítica”, no supuso obstáculo para la propagación de un ideario político tan exigente. En cambio, si algo favoreció esa difusión, fue la inexistencia de un “conmutador central” ideológico que informara y disciplinara a los militantes dispersos acerca de las orientación de su acción  y el contenido de sus propuestas. Por el contrario lo que resaltaba en la historia anarquista es la plasticidad de la teoría  y praxis y, consecuentemente, una variedad notable de su flora y fauna. La dosis de la libertad de que disfrutaron en relación con los modos de subjetivación que les correspondía se desprende de esa condición.

Esta limitación demográfica explica porque cada vida de anarquista se volvía preciosa, y por qué la vida misma, entendida como “ejemplo moral” resultaba ser tan valiosa como las ideas, libros y manifiestos que editaron. En cada vida se realizaba mediante prácticas éticas específicas, la libertad prometida. Cada existencia de anarquista, entonces, se transformaba en la prueba, el testimonio viviente, de una libertad del porvenir. Ellos se percibían a sí mismos como esquirlas actuales de un futuro que 
era obturado una y otra vez por fuerzas más poderosas. De ahí que las biografías de anarquistas se nos presenten como las vidas de los santos, como existencias, que todo lo sacrifican en beneficio de su ideal; amistades, familias, ascenso social, tranquilidad, previsión de la vejez. Hasta el día de hoy existen viejos anarquistas que se han negado a solicitar la jubilación estatal. Estas privaciones eran aceptadas, si no jubilosa, al menos convenidamente, pues el anarquismo les había sido prometido como experiencia exigente, aunque no imposible. Para ellos la libertad era una experiencia vivida, resultado de la coherencia necesaria entre medios y fines, y no un efecto de declamación, una promesa par un “después del Estado”. De modo que, a los efectos prácticos, el anarquismo no constituyo un modo de pensar la sociedad de la dominación sino una forma de existencia contra la dominación. En la idea de libertad del anarquismo no está contenido únicamente un ideal, si no también distintas prácticas éticas, o sea, correas de transmisión entre la actualidad de la persona y la realización del porvenir anunciado. 
Justamente porque el anarquismo no concebía a la persona según el modelo liberal del “sujeto de derechos” era imperioso modelar a cada anarquista según ética específica, y no en relación con una jurisprudencia abstracta, abarcadora y generalizada. La norma ética orientaba tal construcción de persona era la siguiente: “vive como te gustaría que se viviera en el futuro”.
Las practicas anarquistas ambicionaban trastocar el antiguo régimen psicológico, político, cultural del dominio, no solo porque ese modo de gobernar a los hombres resultaba ser coercitivo desigualitario, sino también porque los forzaba a volverse muñones de sí mismos, personas incapaces de auto dignificarse.  La auto dignificación racionalista, impulso fértil de voluntad, apego por la camaradería humana, combate al miedo y la sumisión por ser bases fisiológicas y psicológicas del dominio, imaginación anticlerical y toma de partido por el oprimido, tales eran las piezas que los anarquistas pretendieron ensamblar en cada individuo singular. En el extremo, se aspiraba a la santidad social; no era posible una sociedad anarquista hasta que el último 
de los habitantes de la tierra no se hubiera convertido en un anarquista. Esto no supone procurar la perfección de las almas sino purgar la idea de revolución de la tentación del “golpe de mano” alejándola de los peligros que los padres fundadores previeron en la deriva de las ideas autoritarias  propagadas por el marxismo o “socialismo autoritario” tal como lo definían. Por eso insistían en que la revolución fuera “social “antes que “política“. Lo cual suponía antes que una revolución social se insistía en que se trataba de una revolución personal, es decir, de la construcción del propio carácter o “voluntad “en relación antagonista con poderes jerárquicos. El desligamiento de la sociedad “carcomida” comenzaba por la toma de conciencia de la miseria existente y de las tropelías de los gobiernos autocráticos, pero también por estrategias de purificación de la personalidad. La entrada a los grupos anarquistas siempre supuso una conversión, un autodescubrimiento del “yo rebelde“. El objetivo de tal conversión, y del despojamiento consiguiente de los vicios sociales del dominio, buscaba el auto dignificación. En la prensa anarquista de principios del siglo XX se reiteran consejos dirigidos a la forja de la personalidad, entre ellos, tomar conciencia del estado del mundo, no dejarse atropellar  por los poderosos y sus “esbirros“, actuar con reciprocidad hacia el compañero, servir con el ejemplo al pueblo maltratado, abandonar los vicios burgueses, en particular el alcohol, el burdel, el juego por dinero y la participación en el carnaval. Pero la dignificación de si no solo exige evitar estos males sociales sino también ejercer autocontrol, es decir, una apropiación de si a fin de hacer lugar a un querer libre y liberado de la formación burguesa. No óbstate, esa autoformación libertaria no podía realizarse en el interior de las experiencias sectarias  en los bordes vírgenes de la experiencia histórica, como lo habían intentado los furieristas en sus falansterios y los utopistas en sus comunidades cerradas. El anarquista se veía a sí mismo como un hijo del pueblo. Era un átomo suelto en medio del encadenamiento elemental que a todos obligaba, y cuyo vinculo orbitaba con la cultura popular era paradójico.

El aprestamiento a la subjetividad anarquista, del núcleo ético de la voluntad tenía como objetivo sustentar una “revolucionaria“, que servía para endurecer ante las percepciones y para no desfallecer ante los magros resultados de la propaganda de las ideas. Asimismo para que incluso un solo anarquista se sintiera capaz de fundar publicaciones o de erigir sindicatos, bibliotecas y ateneos.
Ser un revolucionario suponía “tener moral“, y no solamente para devenir un “caso ejemplar” respetado incluso por sus enemigos políticos, sino para tonificar el espíritu y mantener la fe, tal cual los cual los cristianos ante las tentaciones o el martirio. Nadie puede hundir en su alma cimientos de acero si no se tiene fe en el advenimiento de un mundo nuevo.  Los anarquistas creían; pero no eran religiosos, en el sentido habitual de la palara; el misterio de la fe política era balanceado por una sólida formación racionalista (incluso por momentos científica) y por un gusto por la sensibilidad escéptica de tipo “volteriana“. Eran centauros; mitad razón, mitad impulso.
Pero si se dejan momentáneamente de lado el odio inmediato al opresor y las imágenes felices de un mundo sin cadenas( es decir, sin Estado, sin prisiones, sin fuerzas armadas , sin policía, sin Papa, sin nobleza, sin carnicerías etc.) se nos evidencian entonces los logros culturales del anarquismo y, especialmente los contornos culturales de sus prácticas de autoformación , que tenían como función primeramente, ayudar a forjar el carácter revolucionario y luego, testear constantemente la relación entre la propia vida y los ideales. 
El anarquista no acepta el servicio militar obligatorio; desertaba. No acepta unirse en matrimonio bajo la supervisión de la iglesia o del Estado; se unía libremente a su pareja, “unión libre“. En lo posible no envía a sus hijos a escuelas estatales, sino a escuelas libres o “racionalistas“. No bautiza a sus hijos según el sanatorial; solían recurrir a nombres significativos. No se debe aceptar ascensos de rango en las jerarquías laborales o salariales, se trabaja a la par del compañero. Procura además  ser buen trabajador, para darEugenesia
a la burguesía rentista y ociosa como a los demás trabajadores que alguna vez levantaran un mundo distinto sobre las ruinas actuales.
Debe negarse a testificar en un juicio si ello suponía un perjuicio para quien fuera acusado por razones de Estado. No debe aceptar los días feriados dictados por el Estado o la iglesia. No da propina o limosna, pues lo correcto es procurar un salario digno. En algunos casos extremos, muchos anarquistas se niegan a jugar a las cartas o a apostar dinero a fin de no promover la lucha de “todos contra todos“. Al fin, debía de estar pertrechado y preparado cultural y políticamente para acompañar en primera fila a los pueblos que se rebelen.  Y no fueron pocos los anarquistas que renunciaron por testamento a la tumba individual, prefirieron el osario común. Otros donaron sus cuerpos a la ciencia.
Este decálogo ético promovía un modelo de conducta que necesariamente exigía firmeza interior. Al afirmamiento de si contribuían una seria de prácticas introspectivas, que abarcan desde la lectura de libros de ideas novelas sociales e historias de héroes y revueltas populares hasta las primeras pruebas de fuego de la lucha social con las que intima el nuevo adherente a las ideas, sean huelgas, piquetes, contrabando de armas,  periódicos, seguidas por las inevitables temporadas pasadas en la cárcel, líquido amniótico bien conocidos por los militantes, y a la vez vivero de anarquistas. Todas estas prácticas de “cuidado de si “estaban dirigidas a facetar una subjetividad potente (una voluntad) frente al poder jerárquico. No solo es preciso no gobernar  a otros, también contener en sí mismo una serie de principios bien afirmados a fin de no dejarse gobernar. A quien gobierna a sí mismo y se niega a ser gobernado se lo  representa como un “hombre rebelde“, refractario pero a la vez ilustrado y racional; un argumentador irreductible. La educación de la voluntad se desarrollaba mayormente en un nicho político psíquico y emocional que resultó ser la invención organizativa más llamativa de todas las promovidas por el anarquismo; elgrupo de afinidad  que hasta la súbita explosión de los sindicatos organizados en torno de principios libertarios hacia 1900, constituyo el modo de encuentro y de relación habitual entre anarquistas  y que lo sigue siendo hasta el día de hoy.
Lo característico del grupo de afinidad anarquista no reside solamente en la horizontalidad recíproca y la común pertenencia ideológica de sus integrantes sino en la confianza mutua como cemento de contacto de sus miembros y su plasticidad empática.
La introducción a las ideas anarquistas corría muchas veces a cargo de una “maestros” que eras transmisores de la memoria social la historia del movimiento anarquista y las ideas . La maestría no está necesariamente  vinculada con la lectura de libros, aun siendo valuados especialmente en la tradición anarquista si no en el conocimiento personalizado de alguien ya experimentado en la doctrina libertaria. Nos obstante a quien oficiaba a modo de maestro no se le exigía ser un sabio, sino una mezcla de una persona “iniciada” y evangelizador. Era habitual que los ya experimentados dirigieran “lecturas comentadas” en sindicatos y ateneos para círculos de personas sin educación formal alguna o recién llegados al anarquismo. Este tipo de iniciación estuvo vigente hasta los sesenta del siglo XX. Desde entonces la entrada del anarquismo ocurre por contagio o activismo de “pandilla”.
Los ejercicios de oratoria, que primero sucedían en veladas de ateneos o sindicatos y luego en actos públicos, operaban a modo de entrenamiento retorico para el viajero. En cambio, nada preparaba al hombre de “ideas” para las habituales estadías en el presidio. Pero todos podían confiar en la solidaridad que emanaría del otro lado de los muros. Por otra parte, quienes maltrataban a los presos, torturaban a los detenidos o reprimían concentraciones obreras, sabían que podían ser el blanco de la venganza tribal. De todos modos, en casi todos los casos de “justicieros” anarquistas, estos actuaron en la mayor soledad.
Ciclos semanales que unían socialmente a los anarquistas y a la vez aprestaban intelectual y espiritualmente ligaban a anarquistas a su organización y a otros compañeros. Junto a la participaciónactiva en veladas y conferencias, la asistencia a picnics de confraternización y a lunch´s de camaradería, la colaboración con piquetes de huelga, campañas de solidaridad por compañeros presos, marchas y mítines. Se entonaban canciones e himnos revolucionarios, así como se participaba a título de público en “reuniones de controversia” que consistían en torneos de oratoria en que dos contendientes (anarquistas y de otras filosofías) disputaban en torno de un tema convenido, por ejemplo, la existencia o inexistencia de Dios.
El objetivo  de estos rituales y participaciones consistía en inspirar y facetar sentimientos nobles, y en desarraigar los “males de la subjetividad” que dividen a los seres humanos. Han de haber existido pocos movimientos políticos menos anti intelectuales que el libertario, que solo se cuidó de enfatizar la importancia de vincular el trabajo manual  y el intelectual en una sola madeja indevanable.  La imprenta constituía su “multiplicación de los panes” y su “máquina infernal” a la vez. Los libros atesorados incluían la historia de las revoluciones modernas, los clásico anarquistas, las biografías de militantes caídos, las memorias de anarquistas conocidos, los testimonios de prisión y persecución, los compendios de ciencia “moderna” y las ineludibles novelas sociales; constituían una fuente de información fundamental para analizar la vida ética anarquista.
A inicios del siglos XX comenzaron a difundirse entre los anarquistas dos discursos dirigidos al cuidado de la mente del niño y del cuerpo en general. Las escuelas racionalistas se proponías como instituciones y doctrinas alternativas a la fiscalización eclesiástica de la infancia y a la circulación de retoricas estatales en los planes curriculares escolares, y en ellas se inculcaba el conocimientos de la ciencia, la libertad como ideal, la formación integral del alumno. Y la convivencia de saberes manuales e intelectuales. Es esas escuelas se habían eliminado los castigos y amonestaciones, así como las jerarquías preestablecidas entre maestros y alumnos. La suposición antropológica que las orientaba presentaba al niño como librepensadores por naturaleza, y a las ideas religiosas, el patronato estatal y el patriotismo como desvirtuadores de la mente infantil. Todo esto 
con el fin de educar al niño para un futuro no muy lejano, suponía también construir ese mundo a través de nuevas generaciones puestas a salvo de las garras y vicios de la vieja sociedad.
Un típico problema que se le planteaba al alumno… “si un trabajador fabrica diez sombreros en ocho horas, y por hacerlo le pagan $5, decena que la empresa envía al mercado a $50 ¿Cuánto dinero robó el patrón al obrero?”
En el anarquismo, el discurso eugenesia
La eugenesia (del griego ευγονική /eugoniké/, que significa ‘buen origen’’) es una filosofía social que defiende la mejora de los rasgos hereditarios humanos mediante diversas formas de intervención manipulada y métodos selectivos de humanos. El eugenismo pretendería el aumento de personas más fuertes, sanas, inteligentes o de determinada etnia o grupo social para lo que promueve directa o indirectamente la no procreación de aquellos que no poseen esas cualidades llegando a considerar su aplicación como una ventaja en el ahorro de recursos económicos para los países
…proponía la planeación de ciudades ideales  para la vida social; que no deben confundirse con la tradición de las utopías perfectas, si no con el mejoramiento del habitad obrero, sin estar del todo ajeno a preocupaciones sanitarias e higiénicas. Algo que se presentó como un borde cultural apenas aceptable para la mentalidad burguesa. El anarquismo la eugenesia también abarco la difusión del vegetarianismo, del nudismo, del antitabaquismo, de la procreación responsable o “consiente” (de raíz neomaalthusiana) que predicaba la necesidad de restringir la natalidad a fin de eludir la miseria obrera, la propaganda del uso del condón y la publicación de otros métodos anticonceptivos, la crítica al consumo del alcohol, el cuidado a la salud en general. Todo esto se cruzaba con los discursos sobre el amor libre, la importancia de las afinidades electivas y la libre voluntad.
La eugenesia y racionalismo buscaban invertir la dosis de alienación vital inyectada por la sociedad “falsa” así como promover prácticas existenciales menos insinceras y más

saludables. La mayoría de  estas costumbres y modelos de conducta  no eran obligatorios ni de cumplimiento forzoso. El anarquismo nunca ha sido una secta ortodoxa ni dispuso de un libro negro en el cual hubiera podido consultarse una perspectiva. La aceptación de las prácticas es libre, y estas se difunden a la manera de las corrientes de opinión, contagiando o entusiasmando,  y no como un credo.
Los anarquistas nunca se refugiaron en retoricas de la conveniencia o en estrategias “maquiavélicas” o coyunturalitas, a pesar de las consecuencias de tales acciones y opiniones costosas o letales  a su inmediata supervivencia política. En suma nuca mintieron acerca de quiénes eran y que querían. Decir la verdad siempre es costoso. Las cárceles resultaban ser maletas herméticamente cerradas, pero con doble fondo; se transformaban en espacios de concientización de los otros presos “sociales”. Y las prohibiciones no eran más que molestias al paso, gajes del oficio. Ningún anarquista tiene el día comprado. Se diría que viven en libertad condicional, la sinceridad política se extendía a otros ámbitos de la actividad, particularmente respecto al manejo del dinero, tema con el cual se mantenía una estricta escrupulosidad. Los registros contables de los sindicatos anarquistas eran perfectos.
Anarquistas, seres de extremos. Así como la historia del capitalismo moderno y de la sociedad industrial es inescindible del surgimiento del sindicalismo, así también el anarquismo es incomprensible sin su antípoda, la jerarquía. El anarquismo y el monarca siempre se midieron entre sí, como capas geológicas que no se confunden aunque se reconocen y se estudian mutuamente, como cérvidos que eventualmente se enfrentan en campo de lidia. Pero esa misma tensión nutre la tendencia a asilarse centrípetamente en las propias ideas y prácticas culturales como también convoca complejas relaciones osmóticas entre el “alma anarquista” y  “ la burguesa”, vínculos que deben analizarse a través de los procesos metamórficos que su mutua pugna produce en la frontera en disputa.
Las vidas anarquistas en sí mismas, que siempre bascularon entre el color tenebroso  y el aura lírica, constituyeron un modelo moral que atrajo intermitentemente las energías refractarias de sucesivas oleadas e jóvenes. Comprender la fuerza de esta atracción no es sencillo, y es de poca utilidad la explicación psicológica, a saber, que los jóvenes necesitan por un tiempo de una estadía en el infierno o bien mantener intacto su sentido de la irrealidad hasta el momento de “sentar cabeza”. Indudablemente, el adjetivo “revolucionario” le cabe al anarquismo como un guante al puño, pero entre las facetas que admitía esta idea descuella la de la “subversión existencial “. El demonio rojo y el judío errante han sido los emblemas grabados a fuego en la historia anarquista. También lo han sido el Ave Fénix y Lázaro redivivo.

E.E.D.G.

BIBLIOGRAFIA
Fragmento de “Átomos sueltos” Christian Ferrer 
http://www.portaloaca.com/pensamiento-li...kunin.html
Lee todo en: Definición de anarquía - Qué es, Significado y Concepto http://definicion.de/anarquia/#ixzz3LwAskSoJ
http://es.wikipedia.org/wiki/Eugenesia

COLECTIVO PAÑUELOS ROJOS
¡Contra el miedo y las divisiones causadas por ideologías caducas!
¡Por la unidad y la lucha organizada desde las calles!
¡Por la Autonomía, Autogestión y Autogobierno de los Pueblos en todo el Mundo!
¡Para Todos Todo, Viva Tierra y Libertad!


panuelosrojos@gmail.com
http://panuelosrojos.blogspot.mx/
https://www.facebook.com/panuelos.rojos.9?fref=ts
[Imagen: El-primer-desfile-por-el-D%C3%ADa-del-Tr...o-INAH.jpg]

Desafortunadamente, la vida de este periódico sería efímera, como muchos otros. Los periódicos con más vida, pero con un claro cambio en su posicionamiento político serían "El Socialista" y "El Hijo del Trabajo", que en principio se mostrarían de índole socialista, después pasando a un marxismo un tanto escueto -el caso de el Socialista- y posteriormente a una posición netamente gobiernista.
En el caso de La Internacional, es posible observar el discurso radical con la necesidad de la revolución social como motor de cambio, incluso, el propio Plotino Rhodakanaty, quién es partidario del cambio pacífico, muy al estilo de Fourier, cambia y su posicionamiento es más radical y de ello dan cuenta sus artículos en este periódico y en "El Combate".
Finalmente, el periódico desaparece debido al hostigamiento del gobierno mexicano y al trabajo de propaganda y agitación que realizaría Francisco Zalacosta en los estados centrales de México al término de la década de 1870 y principios de 1880.

Aquí, la segunda entrega de este periódico para su descarga y difusión.

Salud y anarquía.
Convite: 3º Fórum Geral Anarquista em Campinas-São Paulo-Sudeste-Brasil.
16, 17, 18 de junho de 2017. (Português e Espanhol)

Organização

Mantendo a proposta original do Fórum Geral Anarquista (FGA) de 2015, onde
consideramos o Fórum como um espaço de encontro, conversas, análises,
discussões, registros, trocas, sugestões, celebrações. Parte de sua
dinâmica será mantida e assim a reproduzimos, com algumas alterações  que a
coordenação atual do Fórum percebeu necessárias.

O 3º FGA celebrará os 100 anos da Greve Geral de 1917 e haverá um eixo
temático pré-definido como base para as atividades:

Expressões Livres na Comunidade - Anarquismo como prática comunitária.

O tema se propõe a reflexão das metodologias, práticas e vivências
horizontalizadas, autogestão e prática não impositivas nas comunidades, nos
bairros e nas periferias das áreas urbanas.

Conferência de Abertura, cuja apresentação se dará por meio de mesa com
conferencistas que exibirão seus estudos-experiências e logo em seguida
aberto a participação do público.

Em formato misto, as Rodas de Conversas e Oficinas serão constituídas por
duas ou mais pessoas responsáveis pela relatoria e equilíbrio entre
tempo-audição enquanto todos os integrantes de cada proposta abordam temas
macro (também pré-definidos) de forma horizontal.

A estrutura horizontal contará com os Grupos de Discussão e ou Oficinas
Temáticas que poderão ser propostos pelas pessoas e entidades anarquistas
que participarão do fórum.

Em cada Grupo, uma de suas proponentes fará relato do que for discutido,
para que no último dia de debates possamos realizar o Fórum propriamente
dito, onde, com apoio e assistência das entidades realizadoras do evento,
serão apresentadas as relatorias das rodas de conversa e dos grupos de
discussão. Será um momento importante para propostas dos participantes e
mesmo a elaboração de uma ou várias cartas sugeridas.

Haverá um Sarau aberto a comunidade no dia 17 de junho, com início as
19:30h.

Todas as manifestações culturais serão bem vindas e todas estão convidadas!

Ao término do evento, realizaremos uma confraternização entre todas
pessoas e entidades envolvidas.


Importante: No espaço da associação não é permitido venda de qualquer
coisa e nem poderá haver consumo de bebidas alcoólicas.


Cronograma de referência:

Janeiro a Abril/2017 -

Incrições

Já estão abertas as inscrições para as pessoas e ou entidades anárquicas
enviarem suas propostas de oficinas, palestras, exposição, debates e
participação. Solicitamos que seja encaminhado uma sinopse simples para que
possamos divulgar.

Enviem suas inscrições para fenikso@anarkio.net

Atenção! As inscrições serão até 15 de abril.


Maio 2017

Divulgação da programação detalhada.


Questões gerais

O espaço é mantido por pessoas voluntárias e sócias contribuintes e
oferece de forma gratuita todas as atividades realizadas no local, assim
solicitamos colaboração para manter o espaço organizado e precisaremos de
pessoas voluntárias para organização, manutenção e dos corres necessários.

Há possibilidade que tenhamos pessoas de outros países, afiem o
vocabulário.

Não contamos com estrutura de alojamento, por isso se organizem nesse
sentido.

O evento é aberto a todas as pessoas e haverá cotização para a
alimentação, sugestão cardápio vegano simples. Há cozinha coletiva no
espaço. Na região há locais para refeições diversas não-veganas.

ATENÇÃO: A PUBLICAÇÃO DO 3ºFGA É AMPLA, GERAL E IRRESTRITA. Caso hajam
traduções para outras línguas por favor nos retornem com a tradução para
seguir divulgando o trabalho.

Saudações anarquisas.
Organização: Iniciativa Federalista Anarquista/Brasil (IFABrasil) -
http://anarkio.net
Coletivo Ancarc@Punk Aurora Negra
Fenikso Nigra - http://anarkio.net/fenikso/
Liga Anarquista no Rio de Janeiro - https://ligarj.wordpress.com/
Núcleo de Estudos Carlo Aldegueri

Espanhol:
Se mantiene la propuesta original del Fórum Geral Anarquista (FGA) de 2015, donde consideramos al Fórum como um espacio de encuentro, conversación, análisis, discusiones, registros, intercambio, sugeencias, celebraciones. Parte de esa dinámica se conservará y así la repetiremos, con algunas modificaciones  que la coordinación actual del Fórum entendió necesarias.

El 3º FGA celebrará los 100 años de la Huelga General de 1917 y tendrá un eje temático predefinido como base para las actividades: Expresiones Libres en la Comunidad – Anarquismo como práctica comunitária. El tema se propone la reflexión de las metodologías, prácticas y vivencias horizontalizadas, autogestión y práctica no impositivas en las comunidades, en los barrios y en las periferias de las áreas urbanas.
Conferencia de Apertura, cuya presentación se dará por medio de mesa con conferencistas que expondrán sus estudios-experiencias, en seguida abriendo el debate a la participación del público.
En formato mixto, los Espaciós de Conversación y Tallers serán constituidas a partir de dos o mas personas responsables por la relatoría e equilíbrio entre tiempo-audición en cuanto todos los integrantes de cada propuesta aborden los temas de discusión, predefinidos de forma horizontal.
La estructura horizontal será la pauta en  los Grupos de Discusión y Talleres Temáticos que podrán ser propuestos por las personas y entidades anarquistas que participarán del Fórum.
En cada Grupo, uno de sus proponentes hará el registro de lo que sea discutido, para que en el último dia de debates podamos realizar el Fórum propiamente dicho, donde, con apoyo y asistencia de las entidades realizadoras del evento, serán presentadas las relatorias de los espacios de conversación y de los grupos de discusión. Será un momento importante para propuestas de quienes participen y también para elaborar una o várias cartas comunicaciones que surgan del evento.
Habrá un acto público abierto a la comunidad el dia 17 de junio, con inicio a las 19:30h.
¡Todas las manifestaciones culturales serán bienvenidas y todas están invitadas!
Al término del evento, realizaremos una confraternización entre todas las personas y entidades participantes.
Importante: En el espacio da las actividades, no será permitido vender cualquier cosa ni podráá haber consumo de bebidas alcohólicas.
Cronograma de referencia:
– Inscripcioness
Ya están abiertas las inscripciones para personas o entidades anárquicas que envien sus propuestas de talleres, charlas, exposiciones, debates y participación. Solicitamos que sea enviado un resumen sencillo para que podamos divulgar.
Envien sus inscripciones al e-mail fenikso@anarkio.net
¡Atención! Las inscripciones serán hasta el 15 de abril.
– Mayo 2017
Divulgación de la programación detallada.
Cuestiones generales
El espacio es mantenido por personas voluntarias y socias contribuyentes, oferce de forma gratuita todas las actividades realizadas en el local, asi que solicitamos colaboración para mantener el espacio organizado y requeriremos de personas voluntarias para organización, mantenimiento y de tareas necesarias.
Hay posibilidad que tengamos personas de otros países, esforzemonos por comunicarnos con  ellas.
No contamos com estructura de alojamiento, por eso quien asista debe tomar previsiones en ese sentido.
El evento es abierto a todas las pessoas y haverá cotização para a alimentação, sugestão cardápio vegano simples. Há cozinha coletiva no espaço. Na região há locais para refeições diversas não-veganas. habrá colecta destinadas a alimentos, La propuesta es ofrecer un menú vegetariana sencillo. Habrá un espacio colectivo de cocina. En la región hay lugares para variadas comidas no veganas.
ATENCIÓN: ESTA INVITACIÓN AL 3º FGA ES AMPLIA, GENERAL E IRRESTRICTA. Caso de haber traducciones a otras lenguas, favor enviárnosla para seguir divulgando.
Saludos anarquistas.
Iniciativa Federalista Anarquista/Brasil (IFABrasil) – http://anarkio.net
Coletivo Anarc@Punk Aurora Negra
Fenikso Nigra – http://anarkio.net/fenikso/
Liga Anarquista no Rio de Janeiro – https://ligarj.wordpress.com/
Núcleo de Estudos Carlo Aldegueri
[Traducción del portugués por Redacción de El Libertario.]
Convite: 3º Fórum Geral Anarquista em Campinas-São Paulo-Sudeste-Brasil.
16, 17, 18 de junho de 2017. (Português e Espanhol)

Organização

Mantendo a proposta original do Fórum Geral Anarquista (FGA) de 2015, onde
consideramos o Fórum como um espaço de encontro, conversas, análises,
discussões, registros, trocas, sugestões, celebrações. Parte de sua
dinâmica será mantida e assim a reproduzimos, com algumas alterações  que a
coordenação atual do Fórum percebeu necessárias.

O 3º FGA celebrará os 100 anos da Greve Geral de 1917 e haverá um eixo
temático pré-definido como base para as atividades:

Expressões Livres na Comunidade - Anarquismo como prática comunitária.

O tema se propõe a reflexão das metodologias, práticas e vivências
horizontalizadas, autogestão e prática não impositivas nas comunidades, nos
bairros e nas periferias das áreas urbanas.

Conferência de Abertura, cuja apresentação se dará por meio de mesa com
conferencistas que exibirão seus estudos-experiências e logo em seguida
aberto a participação do público.

Em formato misto, as Rodas de Conversas e Oficinas serão constituídas por
duas ou mais pessoas responsáveis pela relatoria e equilíbrio entre
tempo-audição enquanto todos os integrantes de cada proposta abordam temas
macro (também pré-definidos) de forma horizontal.

A estrutura horizontal contará com os Grupos de Discussão e ou Oficinas
Temáticas que poderão ser propostos pelas pessoas e entidades anarquistas
que participarão do fórum.

Em cada Grupo, uma de suas proponentes fará relato do que for discutido,
para que no último dia de debates possamos realizar o Fórum propriamente
dito, onde, com apoio e assistência das entidades realizadoras do evento,
serão apresentadas as relatorias das rodas de conversa e dos grupos de
discussão. Será um momento importante para propostas dos participantes e
mesmo a elaboração de uma ou várias cartas sugeridas.

Haverá um Sarau aberto a comunidade no dia 17 de junho, com início as
19:30h.

Todas as manifestações culturais serão bem vindas e todas estão convidadas!

Ao término do evento, realizaremos uma confraternização entre todas
pessoas e entidades envolvidas.


Importante: No espaço da associação não é permitido venda de qualquer
coisa e nem poderá haver consumo de bebidas alcoólicas.


Cronograma de referência:

Janeiro a Abril/2017 -

Incrições

Já estão abertas as inscrições para as pessoas e ou entidades anárquicas
enviarem suas propostas de oficinas, palestras, exposição, debates e
participação. Solicitamos que seja encaminhado uma sinopse simples para que
possamos divulgar.

Enviem suas inscrições para fenikso@anarkio.net

Atenção! As inscrições serão até 15 de abril.


Maio 2017

Divulgação da programação detalhada.


Questões gerais

O espaço é mantido por pessoas voluntárias e sócias contribuintes e
oferece de forma gratuita todas as atividades realizadas no local, assim
solicitamos colaboração para manter o espaço organizado e precisaremos de
pessoas voluntárias para organização, manutenção e dos corres necessários.

Há possibilidade que tenhamos pessoas de outros países, afiem o
vocabulário.

Não contamos com estrutura de alojamento, por isso se organizem nesse
sentido.

O evento é aberto a todas as pessoas e haverá cotização para a
alimentação, sugestão cardápio vegano simples. Há cozinha coletiva no
espaço. Na região há locais para refeições diversas não-veganas.

ATENÇÃO: A PUBLICAÇÃO DO 3ºFGA É AMPLA, GERAL E IRRESTRITA. Caso hajam
traduções para outras línguas por favor nos retornem com a tradução para
seguir divulgando o trabalho.

Saudações anarquisas.
Organização: Iniciativa Federalista Anarquista/Brasil (IFABrasil) -
http://anarkio.net
Coletivo Ancarc@Punk Aurora Negra
Fenikso Nigra - http://anarkio.net/fenikso/
Liga Anarquista no Rio de Janeiro - https://ligarj.wordpress.com/
Núcleo de Estudos Carlo Aldegueri

Espanhol:

3º Fórum Geral Anarquista em Campinas-São Paulo-Sudeste-Brasil. 16, 17, 18 de 2017.

Espanhol:
Se mantiene la propuesta original del Fórum Geral Anarquista (FGA) de 2015, donde consideramos al Fórum como um espacio de encuentro, conversación, análisis, discusiones, registros, intercambio, sugeencias, celebraciones. Parte de esa dinámica se conservará y así la repetiremos, con algunas modificaciones que la coordinación actual del Fórum entendió necesarias.

El 3º FGA celebrará los 100 años de la Huelga General de 1917 y tendrá un eje temático predefinido como base para las actividades: Expresiones Libres en la Comunidad – Anarquismo como práctica comunitária. El tema se propone la reflexión de las metodologías, prácticas y vivencias horizontalizadas, autogestión y práctica no impositivas en las comunidades, en los barrios y en las periferias de las áreas urbanas.
Conferencia de Apertura, cuya presentación se dará por medio de mesa con conferencistas que expondrán sus estudios-experiencias, en seguida abriendo el debate a la participación del público.
En formato mixto, los Espaciós de Conversación y Tallers serán constituidas a partir de dos o mas personas responsables por la relatoría e equilíbrio entre tiempo-audición en cuanto todos los integrantes de cada propuesta aborden los temas de discusión, predefinidos de forma horizontal.
La estructura horizontal será la pauta en los Grupos de Discusión y Talleres Temáticos que podrán ser propuestos por las personas y entidades anarquistas que participarán del Fórum.
En cada Grupo, uno de sus proponentes hará el registro de lo que sea discutido, para que en el último dia de debates podamos realizar el Fórum propiamente dicho, donde, con apoyo y asistencia de las entidades realizadoras del evento, serán presentadas las relatorias de los espacios de conversación y de los grupos de discusión. Será un momento importante para propuestas de quienes participen y también para elaborar una o várias cartas comunicaciones que surgan del evento.
Habrá un acto público abierto a la comunidad el dia 17 de junio, con inicio a las 19:30h.
¡Todas las manifestaciones culturales serán bienvenidas y todas están invitadas!
Al término del evento, realizaremos una confraternización entre todas las personas y entidades participantes.
Importante: En el espacio da las actividades, no será permitido vender cualquier cosa ni podráá haber consumo de bebidas alcohólicas.
Cronograma de referencia:
– Inscripcioness
Ya están abiertas las inscripciones para personas o entidades anárquicas que envien sus propuestas de talleres, charlas, exposiciones, debates y participación. Solicitamos que sea enviado un resumen sencillo para que podamos divulgar.
Envien sus inscripciones al e-mail fenikso@anarkio.net
¡Atención! Las inscripciones serán hasta el 15 de abril.
– Mayo 2017
Divulgación de la programación detallada.
Cuestiones generales
El espacio es mantenido por personas voluntarias y socias contribuyentes, oferce de forma gratuita todas las actividades realizadas en el local, asi que solicitamos colaboración para mantener el espacio organizado y requeriremos de personas voluntarias para organización, mantenimiento y de tareas necesarias.
Hay posibilidad que tengamos personas de otros países, esforzemonos por comunicarnos con ellas.
No contamos com estructura de alojamiento, por eso quien asista debe tomar previsiones en ese sentido.
El evento es abierto a todas las pessoas y haverá cotização para a alimentação, sugestão cardápio vegano simples. Há cozinha coletiva no espaço. Na região há locais para refeições diversas não-veganas. habrá colecta destinadas a alimentos, La propuesta es ofrecer un menú vegetariana sencillo. Habrá un espacio colectivo de cocina. En la región hay lugares para variadas comidas no veganas.
ATENCIÓN: ESTA INVITACIÓN AL 3º FGA ES AMPLIA, GENERAL E IRRESTRICTA. Caso de haber traducciones a otras lenguas, favor enviárnosla para seguir divulgando.
Saludos anarquistas.
Iniciativa Federalista Anarquista/Brasil (IFABrasil) – http://anarkio.net
Coletivo Anarc@Punk Aurora Negra
Fenikso Nigra – http://anarkio.net/fenikso/
Liga Anarquista no Rio de Janeiro – https://ligarj.wordpress.com/
Núcleo de Estudos Carlo Aldegueri
[Traducción del portugués por Redacción de El Libertario.]
[Imagen: Desayuno-en-la-ciudad-de-M%C3%A9xico-1024x6811.jpg]
Durante la segunda mitad del siglo XIX, llegan a México las ideas socialistas de corte libertario preconizadas por el griego Plotino C. Rhodakanaty, precursor y líder de un grupo de jóvenes socialistas que encabezarían una serie de luchas obreras en la capital del país y de rebeliones campesinas entre las décadas de 1860 y 1880. De entre estos jóvenes destacaría el duranguense Francisco Zalacosta, quien en 1870 mantendría relaciones con la sección uruguaya de la AIT y que más tarde permitiría la adhesión de La Social a la Federación del Jura.
Si bien, no existen datos de que La Social se declarase bakuninista, sus acciones políticas y sus pensamientos son evidentemente influenciados por el revolucionario ruso. De esta adhesión surgiría el periódico La Internacional que a continuación presentamos para su descarga.
Desafortunadamente, el periódico no está completo, pero aquí presentamos aquellos que se han logrado rescatar. Esta es la primera entrega de dos.
[Imagen: magritte_beso-e1441270396169.jpg]

Descargar Libro [PDF]


- Osvaldo Baigorria. (Compilador) - Editorial Utopía Libertaria

¿Hay alguien más parecido a un esclavo que un enamorado? ¿Cómo uno puede ser verdaderamente libre cuando ama?

La noción de amor libre apunta más alto: no a la mera posibilidad de tener múltiples relaciones sexuales sino a la de amar a varias personas al mismo tiempo. Reintroduce la noción de camaradería, de compañerismo afectivo. Afirma que se puede querer bien a (querer el bien de) dos o más seres simultáneamente. Insiste en que uno siempre está amando a varios al mismo tiempo, aunque con diferentes intensidades y propósitos. Apuesta, por lo tanto, a una nueva educación sentimental.

ÍNDICE
Prólogo. Eros y anarquía
1. La unión libre
2. El matrimonio es inmoral. Rene Chaughi
3. Carta a Pablo. Mijail Bakunin
4. Lo único y la pluralidad. Luigi Fabbri
5. Mal de amores. Errico Malatesta
6. La mujer y el amor libre. Evelio Boal
7. Consejos para una adúltera. CrimethInc
8. Maternidad libre. Paul Robin
9. La trampa de la protección. Emma Goldman
10. No os caséis. Pepita Guerra
11. Feminófobos y feminófilos. María Lacerda de Moura
12. El marido y el amante. Roberto De Las Carreras
13. El amor entre anarcoindividualistas. E. Armand
14. Una experiencia en camaradería amorosa. Grupo Atlantis
15. La colonia Cecilia. Juan Rossi (Cardias)
16. Comunas de la contracultura. Los Diggers
17. Cuando dos seres se aman. América Scarfó

Anexo. Glosario no monogámico básico

Descargar Libro [PDF]
[Imagen: angelpestanya.jpg]Ángel Pestaña Núñez es considerado como una de las figuras más destacadas del anarcosindicalismo español.
Huérfano de su padre desde niño y sin haber conocido a su madre ni a su hermana; se vió obligado desde pequeño a ganarse el sustento, por lo que trabajó en diversos oficios por toda la cornisa cantábrica , en una situaciòn de desarraigo hasta aprender finalmente la profesión de relojero.
Después de viajar por España, Francia y el norte de África, fijó su residencia en Barcelona,ingresando en la CNT y colaborando en el periódico anarquista "Tierra y Libertad".
Llega a ser el director de Solidaridad Obrera,órgano de expresión de la CNT, desde donde inicia una valiente campaña contra el jefe de policía Bravo Portillo, a quien acusó, con pruebas, de ser un espía de los alemanes.
En marzo de 1920 salió de España en representación de la CNT para asistir al II Congreso de la Internacional Comunista; celebrado en el verano de aquel año; y fue uno de los escasos delegados que se atrevieron a enfrentarse a la línea impuesta por los comunistas.
Al principio, Ángel Pestaña; como la mayoría de los libertarios, simpatizaba con la revolución rusa como cuestión de principio pero le alarmaba la hegemonía del Partido Comunista, que hacía presentir la dictadura de un partido sobre el proletariado.
Pestaña acusó a Lenin de "autoritario y absorvente"; y ve en el comunismo bolchevique un régimen dictatorial instalado sobre la miseria colectiva, y en la dictadura de un partido el falseamiento de la revolución popular.

Personalmente, produjo una excelente impresión a los dirigentes comunistas rusos, sobre todo a Lenin, que enseguida descubrió lo que Pestaña era: un obrero inteligente y puritano, dotado de un gran don de observación y de sentido crítico. Ángel Pestaña escribió 3 folletos sobre Rusia que contribuyeron a cortar el entusiasmo que en los medios cenetistas había despertado desde sus inicios la revolución soviética. pero estas publicaciones no vieron la luz hasta 1921-1922.
En 1922 fue objeto de un atentado mientras se hallaba pronunciando un discurso en Manresa, que estuvo a punto de costarle la vida y que provocó la indignación de casi toda España. El atentado contra Pestaña del gobernador civil de Barcelona, Martínez Anido, impulsor del terrorismo de estado contra los sindicalistas a través de grupos de pistoleros.
Tras la fundación de la Federación Anarquista Ibérica (FAI), en 1927, Pestaña fue, junto con Peiró, uno de los líderes que más encarnizadamente se opusieron a la hegemonía de esa organización específica sobre la CNT.
El advenimiento de la segunda República hace que Pestaña sea cada vez más reformista y moderado; y abandone las posturas extremistas de su juventud.
El congreso cenetista de 1931 es una verdadera ofensiva contra la postura de Pestaña. En él se encuentran dos posturas opuestas:
moderados ( Pestaña y sindicalistas como Clará, Peiró y Juan López) y los revolucionarios intransigentes de la FAI ( Durruti, García Oliver y Federica Montseny); llamados por algunos "anarco-bolcheviques".
Ángel Pestaña firma junto con otros militantes de la CNT opuestos a la FAI, el Manifiesto de los Treinta, cuyo contenido es un violento ataque contra el concepto “peliculero” de la revolución que practicaban los faístas. Los partidarios de este documento (llamados treintistas) son marginados y expulsados de la CNT.
[Imagen: 11.jpg]En 1933; Pestaña, que ha roto ya definitivamente con la CNT; pero sin ser por ello marxista; funda el Partido Sindicalista (PS), que estaba orientado hacia el anarquismo; pero que aceptaba las elecciones y la representación parlamentaria. Este partidillo tuvo su núcleo fundamental en Huelva, Cádiz, Sevilla y Valencia.

En Aragón, aunque estaba constituido por un reducido grupo de militantes provenientes de la CNT, con apenas presencia en Zaragoza y Fuentes de Ebro, contaba con la importante adhesión del diputado frentepopulista Benito Pabón. El PS ingresó en el Frente Popular; y obtuvo dos diputados: Pabón y el propio Pestaña.
En octubre de 1936 Pestaña fue designado subcomisionado general para la guerra, perto tuvo que dimitir por motivos de salud en diciembre. Finalmente murió en diciembre de 1937 en Begas, cerca de Barcelona y el partido se desintegró rápidamente.
[Imagen: anarquismo_ciencia5.jpg]

Si la anarquía es la construcción de un espacio político no jerarquizado, que busca la autonomía de la comunidad humana y una concepción de la libertad amplia que incluya la igualdad entre todos sus miembros, es posible que constituya siempre una tarea inacabada; el anarquismo, por el contrario, constituido por diversos métodos y paradigmas, adopta diversas formas según el contexto cultural, pero permanentemente subversivo respecto a lo establecido (incluida una sociedad con grandes dosis de libertad e igualdad).
 
La libertad dentro de una sociedad anarquista se caracterizaría por el fin del paradigma coercitivo, es decir, de la idea de la "dominación justa", en palabras de Eduardo Colombo, que supone el moderno Estado democrático. El otro rasgo principial de la libertad anarquista sería la afinidad con una serie de valores, en los que la igualdad es condición necesaria. Si consideramos la libertad como una creación social determinada históricamente, sería la negación anarquista a una concepción estática la que precedería a una fuerza creadora e innovadora. Eso es lo que significa la conocida frase de Bakunin, "La pasión por destruir es también una pasión creadora". Por lo tanto, los anarquistas niegan el Estado, una instancia coercitiva separada de la sociedad, niegan el paradigma del mando-obediencia, consideran la libertad como una construcción histórica y niegan que exista una concepción de la misma previa a la sociedad política. Como es sabido, los liberales consideran que la libertad individual es previa a la sociedad política y, solo mediante el contracto o pacto social, es posible la convivencia gracias a la fundación del poder político. Es una justificación de la existencia del Estado, del paradigma de dominación justa, basada en el dogma de una supuesta condición previa del ser humano.
 
Muy al contrario, los anarquistas, tal y como dijo ya Bakunin, consideran que solo es en sociedad donde surgen la idea de la libertad, por lo que la conquista de la misma es el gran objetivo a conseguir. Solo la comunidad humana, mediante su historia y la sociedad que crea, puede dar lugar a la libertad. Ni los dioses, ni la naturaleza, ni ente abstracto alguno, es el colectivo humano el que se otorga sus propias normas. Tal y como dice Eduardo Colombo, el anarquismo, y su objetivo de crear la anarquía, supone una ruptura radical con la heteronomía, con cualquier norma que surja de una instancia separada de la sociedad. La anarquía supone entonces "la figura de un espacio político no jerarquizado, organizado para y a través de la autonomía del sujeto de la acción" (el ser humano). Por supuesto, si de verdad somos anarquistas, la construcción de la anarquía, de esa espacio político antiautoriario, será siempre una tarea inacabada. Por muy libre e igualitaria que sea una sociedad, el anarquista está obligado a ser un transgresor, un subversivo de lo establecido en nombre de un horizonte más libertario. No nos equivoquemos tampoco con esa concepción sociohistórica de la libertad anarquista. El anarquismo no tiene una concepción sagrada ni determinista de la historia, no es "historicista", ni cree en teleología alguna. No hay finalidad alguna en la historia, por lo que estamos obligados a ser críticos y trabajar por una realidad anarquista en el presente.
 
La anarquía solo será posible si los seres humanos desean construirla, por lo que hay que trabajar por esa conciencia que impulse una voluntad revolucionaria. Es posible que en toda lucha contra el poder en la historia haya habido un pequeño hálito libertario, pero hay que recordar que solo el anarquismo, que nace en momento histórico muy concreto, producto de la lucha de infinidad de personas para acabar con la explotación y la dominación, supone esa ruptura radical con la hetonomía (con cualquier forma de poder o autoridad coercitiva). El anarquismo nace, de forma evidente, en Occidente, originado en gran medida en la Ilustración y en la Revolución francesa, pero con el paso del tiempo haya su fuerza, junto a un horizonte ilimitado, en multitud de culturas y situaciones sociales. El conjunto de la humanidad, a través de sus diferentes expresiones culturales, puede dar forma a las ideas libertarias. Para los que trazan una división entre un supuesto anarquismo clásico o moderno, y otro posmoderno, entre la teoría y la acción, hay que decir que ya pensadores clásicos como Proudhon y Bakunin consideraban que la idea libertaria surgía de la vida y de la acción.
 
No hay solo un anarquismo, por mucho que histórica e ideológicamente podamos trazar cierta sistematización. Si la anarquía es el objetivo, hay muchas formas libertarias y socialistas de llegar a él, deberíamos recordarlo constantemente para huir del doctrinarismo. No puede haber dogma libertario alguno, lo mismo que no puede existir una ideología justa, y por lo tanto cerrada en sí misma; hay que combatir a aquellos que reclamen cualquier forma de ortodoxia en nombre de la diversidad y de esa concepción permanentemente subversiva. No convencen demasiado tampoco esas ideas clásicas de la anarquía como una perfecta concepción del orden, ya que deberíamos concebirla siempre como heterogénea, como compuesta de partes muy diversas y de no fácil conexión. Ya Malatesta supo romper con ciertas tendencias científicas dentro del anarquismo, que pretendían fundar una supuesta verdad libertaria en nombre de justificaciones filosóficas e incluso científicas. El anarquismo es fundamentalmente una práctica, una respuesta ética a las injusticias de cualquier tipo de sociedad. Insistiremos en que solo el deseo y la voluntad de las personas pueden crear, o impulsar, una sociedad anarquista. Es cierto que parecen existir valores innegociables en el anarquismo, en sentido lato y surgidos en un momento muy determinado de la historia, como son la acción directa, el federalismo, el internacionalismo o la igualdad de clases. Sin embargo, esos principios libertarios parecen mantenerse a través de la historia como métodos para acciones muy diversas e influenciadas por el contexto cultural y los paradigmas de la época. En el campo económico, por ejemplo, mutualismo, comunismo o colectivismo forman parte de esos paradigmas históricos para tratar de establecer la justicia social. Nuevas acciones libertarias, y nuevos paradigmas, reclaman ser creados en el presente (y en el futuro).

Capi Vidal
http://reflexionesdesdeanarres.blogspot.com.es/
[Imagen: 51sg-TylXsL._SX311_BO1,204,203,200_.jpg]

La historia del movimiento libertario durante la transición Española en Euskadi (Basque Country) casi se podría resumir en la historia del colectivo y la revista Askatasuna Askatasuna (libertad» en euskera) fue el nombre de una revista publicada en Euskadi en la década de 1970, de ideología anarquista y con notable repercusión en este periodo, desde la cual se defendían planteamientos independentistas desde un punto de vista libertario. Fundada en Bruselas en 1971 por exiliados durante la dictadura franquista, no pasaría al interior hasta el 29 de febrero de 1976.La revista Askatasuna estaba dirigida por Mikel Orrantia, Tar El 24 de agosto de 1978, coincidiendo con la Aste Nagusia – Fiestas Semana Grande de Bilbao sufrió un atentado fascista en la que quemaron toda la imprenta, las máquinas y todos los libros, revistas y documentos. En 1980 la revista Askatasuna deja de publicarse y desaparece el colectivo. En el libro el autor relata su experiencia con ASKATASUNA y su vida militante y en el Prólogo Mikel Orrantia también habla sobre el colectivo y expone algunas teorías sobre el movimiento anarquista actual y su futuro. En la segunda parte del libro se exponen una serie de artículos –desde un prisma libertario- editados por el autor en diferentes medios digitales como Foros, Blog y Redes Sociales sobre la actualidad política y social de Euskadi y el mundo con algunas reflexiones sobre el  conflicto vasco y el porvenir del anarquismo y la política local de la izquierda del País Vasco. Explica en qué consiste el anarkoabertzalismo y da algunas reflexiones y pautas teóricas sobre el anarquismo del siglo XXI: “El Anarcoabertzalismo un nuevo concepto de anarquismo surgido en los años 70 en Bilbao por un colectivo anarco-comunista llamado ASKATASUNA, Un colectivo que tuvo mucha influencia en el mundo político vasco de izquierdas” Es un libro para entretener sin demasiada teoría, ni panfleto para no aburrir al lector y escrito en un lenguaje sencillo, entendible para todo tipo de público. 

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